GUIDÕES
Consciente de que é tarefa difícil descrever aqui de forma exaustiva toda a história deste pequeno torreão porque a história nunca se esgota, nem será esse o objectivo, procurar-se-á dar a conhecer de modo sucinto mas plenamente elucidativo, alguns passos do passado que naturalmente muitos de nós desconheceremos.
AS ORIGENS

Ao certo ao certo ninguem conseguiu ainda provar mas, de entre as várias hipóteses apontadas por especialistas na matéria, a que se afigura como mais plausível de ser a verdadeira, sobressai a teoria do Padre João Vieira Neves Castro Cruz, douto escritor e arqueólogo,  publicada num artigo d"A Palavra do Porto" em 3 de Julho de 1889 sobre a Freguesia de  S. João Baptista de Guidões em que nos diz: " ...e até pode ser que proceda d'algum indivíduo chamado Guido e que fosse senhor desta terra..."
A denominação original da terra terá sido "Guidonis" - terra de Guido, que com a evolução etimológica terá dado origem à palavra "Guidões".
Também Frei Joao de Sousa, nos seus "Vestígios da Língua Arábica em Portugal" diz: "Os mouros costumam denominar as terras com apelidos dos seus possuidores ou fundadores...".  Ora, isto leva a crer que talvez tenho sido aplicado o nome do seu possuidor (Guido) à terra que hoje é Guidões.
Outras das chaves que contribui para esta hipótese ser cada vez a mais provável é a afirmação do Abade Sousa Maia no seu livro "Memórias de Guidões" publicado em 1913, em que nos descreve:..."numa estante de missal antiga, que existe na igreja d'esta freguezia (S. João Baptista de Guidões) vê-se escripta, em caracteres bastante apagados pelo tempo, esta palavra - "Guidonis".
À data da publicação do seu livro (1913) o Abade Sousa Maia afirma: ...Hoje não há dúvidas a esse respeito: Guidões deriva do genitivo Guidonis, de Guido. Affirma-o o Sr. Dr. J. Leite Vasconcellos, sábio philologo portuguez, que é reconhecido como auctoridade nestes assumptos".

ANTIGUIDADE DA IGREJA E PARÓQUIA DE GUIDÕES

Os elementos existentes para formular uma resposta concreta e válida são muito deficientes. No entanto, documentos de registo paroquial existentes nos arquivos do Paço Episcopal do Porto evocando o nome de Guidões, levam-nos até ao ano de 1593. Os livros anteriores a essa data devem ter desaparecido num incêndio que se diz, houve na "Câmara Ecclesiástica do Porto" há mais de 280 anos (1913 + 280).
Ora, com base em provas existentes, há uma certeza: a Igreja Paroquial de Guidões já existia em 1593, sendo muito provável que tivesse a sua origem numa epoca muito mais afastada.
De lembrar que, a existência da paroquia de Guidões e a respectiva Igreja àquela data, não pressupõe identificação com o actual templo como a seguir iremos constatar.

EDIFÍCIOS RELIGIOSOS

Guidões foi possuidor em tempos idos, de 3 edifícios religiosos: Igreja Paroquial, Capela de Santa Bárbara e Capela do Senhor dos Passos.
A antiga  Igreja Paroquial de Guidões (Capela do Senhor dos Passos) situada onde hoje são os jardins da Casa Lopes, por acanhadíssimas dimensões e estado de ruína em que se encontrava não justificando a sua reforma, deu lugar à edificação de uma novo templo em 1879 no lugar do Sobral (actual lugar da Igreja) totalmente a expensas do povo da terra, templo esse que nos dias de hoje é ainda o ex-libras da freguesia. 
Faziam parte da Junta da Paróchia da Freguesia de S. João Baptista de Guidões:
-Manuel da Silva Cruz dos Santos - Presidente e Pároco da Freguesia.
-José lopes da Silva - Regedor.
-José Rodrigues Ferreira da Silva - Vogal.
-José Gonçalves D'Araújo

A pouca distância no local de edificação da nova Igreja, ficava a  antiquíssima Capela da Santa Bárbara, sensivelmente em frente onde hoje se encontram os Cruzeiros graniticos (esquina da Rua de Santa Bárbara e da Rua da Igreja).
Não possível até aos dias de hoje precisar a data de construção desta ermida mas tudo leva a crer que, pelas inscrições na base na cruz granítica à face da Rua de Santa Bárbara (Ano de 1623), a capela terá sido edificada numa época muito mais remota.
Hoje desaparecida, é terreno de propriedade particular.

Antes da edificação da actual Igreja Paroquial, era a Capela do Senhor dos Passos considerada o templo-mor da freguesia, onde hoje são os jardins da casa Lopes. Ali existia a Capela e o Cemitério.
Na ocasião em que se edificou a nova Igreja de Guidões, a antiga foi demolida, ficando apenas a capela-mor construída em 1826) para servir de memória à antiga igreja matriz e capela do cemitério, ficando em exposição a imagem do Senhor dos Passos.
De referir que esta Capela já existia mesmo antes da construção da Capela-mor, sendo portanto antiquíssima.
O Abade Sousa Maia, no seu livro "Memórias de Guidões" diz-nos: "...Note-se que actualmente esta Capella (em 1908) está um pouco abandonada, por não ser necessária para o culto; e, tendo-se ultimamente construído um novo cemitério, em logar mais apropriado, é de presumir que, mais tarde, venha a ser demolido, ficando talvez uma cruz a indicar o sítio onde existiu a antiga igreja, e ajardinado o espaço por ella ocupado outr'ora".
Desta já desparecida capela, segundo consta, apenas existe uma das portas que está em propriedade particular